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Histórias em Redes nas Escolas: O Sentido de Reunir, Espalhar e Rejuntar

Como transformar um acervo documental e roteiros históricos em experiências vivas de aprendizagem?

Na primeira fase do projeto Histórias em Redes, nossa missão foi reunir: coletar informações, cruzar dados e consolidar narrativas coesas sobre espaços específicos.

No entanto, quando cruzamos os portões das escolas, o movimento se inverte. Para provocar o protagonismo dos estudantes e criar um ambiente de verdadeira investigação, nós decidimos espalhar.

A Metodologia das Caixas Pedagógicas

Inspiradas no trabalho do professor Jônatas Ceratti (UFRGS), as Caixas Pedagógicas tornaram-se o coração das nossas mediações nas escolas.

A lógica é simples, mas profundamente pedagógica: pegamos um roteiro histórico estruturado, desestruturamos o seu percurso e guardamos dentro de uma caixa os seus materiais variados de forma desordenada.

Em vez de entregar uma história pronta (um produto finalizado), entregamos um quebra-cabeça. Os estudantes tornam-se historiadores, experimentando o processo de “juntar pedaços” para dar sentido ao passado.

O processo didático funciona em um movimento espiral de três tempos:

Nossas Experiências

📂 Caixa Pedagógica: “Isidoro: entre becos e bocas”

Nesta atividade voltada para o contexto histórico, os alunos abriram uma caixa repleta de objetos, papéis, livretos e reproduções de manuscritos antigos.

  • A Investigação: Cada jovem escolheu um fragmento aleatório e foi instigado a analisá-lo.
  • O Debate: Através de provocações sobre as relações de poder, o contexto da extração de diamantes e quem teria sido Isidoro, os estudantes cruzaram as pistas em suas mãos.
  • O Desfecho: Após descobrirem o personagem por conta própria, o roteiro original do projeto foi apresentado, funcionando como o “rejunte” que conectou todas as informações espalhadas.

Acesse aqui o roteiro Isidoro Entre becos e bocas

📖 Caixa Pedagógica: “Castelos de Helena”

Desenvolvida especialmente com turmas do 5º ano do Ensino Fundamental I, essa caixa recriou o universo íntimo e literário baseado no diário de Helena Morley.

1.Exploração do Universo do Diário:Passo 1.

A caixa continha fotografias antigas, imagens da autora, pequenos brinquedos de madeira e uma réplica física encadernada simulando o diário. Cada criança retirou um objeto para iniciar a dinâmica.

2.Leitura Compartilhada e Trocas:Passo 2.

Trechos soltos do diário foram lidos pelos pequenos e intercalados com perguntas. Quem quis pôde ler seu trecho para o grande grupo, gerando um debate espontâneo e rico.

3.Estímulo à Autoria:Passo 3.

Para incentivar a escrita escrita autônoma, cada aluno recebeu uma pequena encadernação em branco para iniciar seu próprio diário. No dia seguinte, houve uma nova rodada de leituras e compartilhamentos.

4.Cartografias e Cartas:Passo 4.

Após a contextualização final sobre quem foi Helena Morley, os alunos desenharam seu próprio roteiro em folhas de tamanho A3 e escreveram pequenas cartas direcionadas à autora.

Acesse aqui o roteiro “Castelos de Helena”

Por que “Rejuntar”?

Adotamos a brincadeira com o termo rejuntar porque ele carrega dois significados fundamentais para nós: reunir novamente e dar acabamento (como em uma parede de cerâmica).

Quando a narrativa pré-estabelecida de um roteiro histórico é apresentada depois que os alunos exploraram os fragmentos, ela deixa de ser um conteúdo rígido e passa a ser uma ferramenta de organização do próprio pensamento. O aprendizado torna-se mais duradouro e os estudantes sentem-se muito mais engajados em percorrer o trajeto real, pois eles ajudaram a reconstruir aquela história.