Personagem popular e figura emblemática do cotidiano de Diamantina na virada do século XIX para o XX. Conhecido pelo epíteto “Bambães”, Bernardino transitava entre a marginalidade social e a participação episódica em instâncias oficiais e religiosas da cidade.
Inserido na vida pública em 1894, Bernardino foi nomeado sub-servente dos Correios em um contexto de intensa movimentação política local. No mesmo período, seu nome figurou em manifestos de apoio ao ex-furriel Antonio Correia Coimbra.
Apesar desses registros formais, sua identidade era definida pela condição de “tipo popular” (Ciro Arno) sobrevivendo muitas vezes por meio de esmolas e da caridade pública.
Foi pai de pelo menos uma filha cujo falecimento ou adoecimento mobilizou a solidariedade de moradores de localidades vizinhas a Diamantina, fato que o levou a publicar agradecimentos penhorados na imprensa local em 1901. Mantinha relações de proximidade e deferência com figuras da elite diamantinense, como Ciro Arno. Sua memória e o uso de seu apelido persistiram na imprensa regional até meados do século XX, sendo recordado como um personagem que personificava as tensões e as redes de proteção social da Diamantina republicana.
Helena Morley o cita em seu diário:
Trecho do Diário: Helena Morley
A Passeata de Bambães e a Igreja do Rio Grande
“Hoje andou pela cidade a passeata de Bambães. Ele põe no andor um sino todo enfeitado e sai pelas ruas repicando e pedindo esmolas para a igrejinha que ele está fazendo no Rio Grande. É muito engraçado. Os meninos vão atrás acompanhando, e eu acho que alegra muito as ruas.
Bambães é baixinho, gorducho, muito alegre e só trata a todo o mundo de ‘Meu Belo’. Todos gostam dele. Mas ninguém lhe dá esmola, porque dizem que ele tira é para ele. Eu não creio. Meu pai diz que só vendo esta igreja pronta, com cem réis de cada um, é que ele acredita.
Eu penso mesmo que eu não era nascida, quando Bambães começou esta capela, e, desde que me entendo, ela está na mesma. Vovó é das poucas pessoas que dão esmola maior, e acha que é preciso igreja no Rio Grande. Todos dizem que não se precisa de mais igreja na cidade, que já tem muitas.”
Domingo, 26 de fevereiro. (Morley)
(não sabemos se ela se refere a este ou ao outro Bambães. Carece de verificação)
Referências
CORREIO DE MINAS. [Nomeação de Bernardino Vieira Couto]. Diamantina, 2 nov. 1894.
ESTRELA POLAR. [Nota de falecimento: família de Bernardino Vieira Couto]. Diamantina, 25 maio 1952.
MORLEY, Helena. Minha vida de menina. Ilustrações Lúcia Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 1998
MINAS GERAES: Orgão Official do Estado de Minas Geraes. Solidariedade ao Dr. Bias Fortes. Ouro Preto, 25 out. 1894.
O MUNICÍPIO. [Agradecimento de Bernardino Vieira Couto (Bambães)]. Diamantina, 16 abr. 1905.
PÃO DE SANTO ANTÔNIO. [Notas Sociais: Ciro Arno e Bambães]. Diamantina, 10 jan. 1904.
PÃO DE SANTO ANTÔNIO. Bernardino Vieira Couto e a Capela local. [S. l.], [s. d.]. Recorte de jornal.













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