A Fábrica de fiação e tecidos Santa Barbara foi uma pioneira indústria têxtil no norte de Minas Gerais, cuja história foi marcada pelo esforço familiar, por inovações trabalhistas sem precedentes e por um fim trágico provocado por instabilidades econômicas do país
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Fundação e Propósito A fábrica foi a segunda a ser criada na região e nasceu de um desejo do pai do biografado, “o velho João da Matta Machado”, que planejou a construção com o objetivo de reunir os filhos em torno de um trabalho em comum
. Após a morte do patriarca, João da Matta Machado uniu-se a irmãos e genros para honrar sua memória e concretizar esse plano, erguendo a fábrica com “ingentes esforços” em uma região que até então era considerada quase deserta
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Pioneirismo Social Sob a administração de Matta Machado, a fábrica não apenas prosperou, mas fez crescer uma população ao seu redor, atraída pela bondade de seu fundador
. O grande diferencial histórico da Santa Barbara foi o seu pioneirismo nas relações trabalhistas: inspirado pela publicação da encíclica Rerum Novarum pelo Papa Leão XIII, João da Matta Machado tornou-se o primeiro no Brasil a instituir a coparticipação dos operários nos lucros da fábrica
. Além disso, para proteger os trabalhadores, ele fundou caixas de instrução, beneficência e aposentadoria
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Motivos do Fechamento (A Crise) O fim do controle da família Matta sobre a fábrica foi impulsionado por uma crise econômica apavorante que abalou a economia brasileira
. O texto atribui a ruína da empresa às ações do ministro Murtinho, que, ao combater os problemas gerados pelo papel-moeda e pelas chamadas “indústrias tarifárias”, acabou asfixiando os empreendedores da época
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Em decorrência dessas políticas e da crise, os instrumentos de trabalho da fábrica acabaram hipotecados ao Banco do Governo
. As vítimas dessa crise não tiveram a oportunidade de resgatar seu patrimônio sequer com um prazo razoável ou pequeno desconto, e a fábrica foi vendida a terceiros por uma quantia insignificante
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Assim, a obra construída com amor e virtudes passou para “estranhas e mercenárias mãos”, causando grande baque nas famílias da região e deixando a população saudosa, a ponto de antigos moradores afirmarem: “Até hoje rezamos para a fabrica voltar aos Mattas”
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MACHADO, Pedro da Matta. João da Matta Machado Junior (Traços Biographicos). Revista do Archivo Publico Mineiro, ano XXI, fasc. III, p. 349-366, 1927


