Isabelinha


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Trecho do Diário: Helena Morley
Isabelinha e o Segredo das Flores

“Em nossa vizinhança mora uma mulher chamada Isabelinha e parecia uma santa. Ela faz flores para vender e ganha para ensinar os outros, isto é, ensinar de mentira. Mamãe tratou com ela para me ensinar por seis mil-réis por mês.

Ela só me mandava cortar as folhas pelo molde, buscar água para as tintas e outras coisas à-toa; mas quando precisava que eu ajudasse a prender um botão, pôr as folhas e cobrir o arame ou coisa assim, ela dizia só uma vez e eu fazia igual a ela. Uma vez ela me disse: ‘Você é um perigo, menina; aprende até sem a gente ensinar’.

Há poucos dias ela teve encomenda de umas camélias. Eu apanhei os retalhos no chão, trouxe para casa e fiz dois botões de camélia. Mamãe e meu pai ficaram inchados com minha habilidade e mostraram à mestra. Ela olhou espantada e perguntou onde encontrei o material.

Hoje, quando eu cheguei para a aula, ela disse: ‘Não quero mais lhe ensinar. Isto é o meu ganha-pão. Se, com o cuidado que eu tive para não mostrar como eu faço, você já fez aqueles botões, se lhe ensinar você me passa na frente’. Eu não respondi nada e vim-me embora.”

Terça-feira, 11 de julho. (Morley)


MORLEY, Helena. Minha vida de menina. Ilustrações Lúcia Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 1998



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Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.