Mário Nicolau Pereira


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Mário Nicolau Pereira, conhecido como Sr. Mário, foi um ex-tropeiro cujas memórias constituem uma fonte primária para a historiografia de Diamantina. Seu depoimento é utilizado para compreender a logística, a ocupação do espaço e o impacto das transformações tecnológicas no Mercado Municipal entre as décadas de 1930 e 1950.

Ele forneceu dados quantitativos e descritivos precisos sobre o fluxo de animais na cidade, relatando a superlotação do Mercado durante a estação seca e a necessidade de utilização de áreas periféricas, como o rancho na localidade da Palha, para o pouso das tropas. Além disso, o Sr. Mário é uma testemunha ocular da transição do transporte de muares para o transporte motorizado (caminhões), descrevendo a desvantagem competitiva das tropas em termos de volume de carga e velocidade, o que culminou no esvaziamento das funções originais do Mercado.

“Tinha época de não caber mais… o tropeiro não tinha como dormir. Tinha de dormir para o lado de fora ou então na Palha. Duzentos e quarenta burros já contei lá no Mercado. Quando as tropas enchiam o Mercado, a saída era ir para a Palha.” (PEREIRA, apud MARTINS, 2010, p. 170; e transcrito na página 290 das imagens enviadas).

“Mário Pereira, por exemplo, que começou a tropeirar em 1940, aos 23 anos, testemunhou o avanço dos caminhões e o desaparecimento das tropas: ‘um lote de burro levava 1.200 quilos, o caminhão levava muito mais e era mais rápido’.” (PEREIRA, apud MARTINS, 2010, p. 173).

“[…] conforme o depoimento do senhor Mário Nicolau Pereira, ex-tropeiro: […] ‘Naquela época, além do rancho para os tropeiros lá tinha bom pasto. O dono do rancho cobrava quatrocentos réis por cabeça’.” (PEREIRA, apud CAMPOS, 2009, p. 153).

Fontes
CAMPOS, Leandro Augusto Ferreira. A Caixa Vazia: preservação e história no Mercado Municipal de Diamantina. 2009. 403 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, 2009.
MARTINS, Marcos Lobato. O comércio de “gêneros do país” no Mercado de Diamantina, Minas Gerais: décadas de 1880 a 1930. Locus: revista de história, Juiz de Fora, v. 16, n. 2, p. 157-173, 2010.



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Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.