Alexandre Misk foi um engenheiro que teve um papel na exploração mecanizada de diamantes na região de Diamantina, atuando principalmente como diretor-gerente da Mineração Tejucana S.A.
Como engenheiro, Misk era um estudioso do setor, sendo autor do texto “Mineração Aluvionar”. Nele, demonstrava profundo domínio sobre as propriedades físicas do diamante (como sua extrema dureza e alta condutividade calorífica) e sobre a geologia dos depósitos aluvionares e matrizes de kimberlito. Ele foi a peça-chave na coordenação da complexa logística de transporte e montagem da gigantesca draga importada da Califórnia para Minas Gerais.
Segundo ele:
“”Duas mil e quatrocentas toneladas de maquinária, depois de desmontadas, foram levadas de carreta até o pôrto de São Francisco da California. De lá, em seis carregamentos sucessivos, ao pôrto do Rio de Janeiro. Depois, em cento e dez vagões da Central do Brasil foi levada a Belo Horizonte, transferidas para bitola estreita e descarregadas em Diamantina. De Diamantina ao Vale do Jequitinhonha (110 quilômetros), o equipamento foi levado em dezenas de caminhões e carretas. A operação total de transporte, custou trezentos e cinquenta mil dólares, isso em 1966” (Misk apud Mesquita)
Além de gerenciar a Tejucana, Misk atuava ativamente na expansão das áreas de lavra. Em agosto de 1965, por meio do Decreto Federal Nº 56.735, ele recebeu autorização direta do Presidente da República para pesquisar ouro e diamante de forma pessoal em uma área de 495 hectares no distrito de Senador Mourão (Diamantina), localizada em terras de propriedade particular.
Misk possuía um perfil altamente crítico em relação às leis e à tributação do Estado brasileiro. Ele culpava o próprio governo por marginalizar a classe mineradora e lapidária. Para Misk, as altas taxas de câmbio e a cobrança de impostos como o ICM e o IPI eram os verdadeiros responsáveis por empurrar os produtores para a clandestinidade e fomentar o contrabando de pedras. Defendendo a competitividade da indústria nacional, ele pedia a eliminação pura e simples dessas taxas nas exportações, chegando a fazer um apelo direto: “Deixem o diamante LIVRE”.
Diante do impacto causado pela mecanização na região, Misk defendia a imagem da sua empresa, rebatendo as acusações de que ela monopolizava o setor. Ele argumentava que, apesar do tamanho, a Tejucana não chegava a produzir 20% do total de diamantes do Brasil.
Referencias
BRASIL. Decreto nº 56.735, de 17 de agosto de 1965. Autoriza o cidadão brasileiro Alexandre Misk a pesquisar diamante e ouro, no Município de Diamantina, Estado de Minas Gerais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 ago. 1965.
BRASIL. Decreto nº 57.715, de 2 de fevereiro de 1966. Autoriza a Mineração Tejucana Sociedade Anônima a pesquisar diamante e ouro no Município de Diamantina, Estado de Minas Gerais. Diário Oficial da União, Seção 1, Brasília, DF, p. 1564, 9 fev. 1966.
MESQUITA, H. Reportagem Revista Realidade. 1968. Mimeografado.
MISK, A. Mineração aluvionar. Geologia e Metalurgia, São Paulo, Boletim n. 38, p. 75-88, 1976.


