Mariana


A história vive nas redes. Compartilhe! Dê vida ao passado.

Mariana é apresentada nos relatos de Helena Morley como uma figura de referência e, posteriormente, de interlocução sobre as normas sociais de Diamantina. Na Escola Normal, ela é descrita como a aluna mais afamada e admirada pelas tias inglesas de Helena, atuando como uma mentora que aconselha a jovem a prestar atenção e tomar notas para obter sucesso nos estudos.

Mais tarde, Mariana aparece inserida no círculo de amizades de Helena, participando das pressões sociais sobre namoro e casamento. Ao notar o desinteresse de Helena pelos pretendentes aos 14 anos, Mariana a adverte sobre o risco de virar um “facão” (solteirona), justificando sua preocupação como um gesto de amizade.

Trecho do Diário: Helena Morley
Mariana e o Segredo de ser Boa Aluna

“Faz hoje três dias que eu entrei para a Escola Normal. Comprei meus livros e vou começar vida nova. O professor de Português aconselhou todas as meninas a irem se acostumando a escrever, todo dia, uma carta ou qualquer coisa que lhes acontecer.

Passei na casa de minhas tias inglesas e encontrei lá Mariana. Ela foi a aluna mais afamada da Escola e sempre ouvi minhas tias falarem dela com admiração. Ela esteve me animando e disse que o segredo de ser boa aluna é prestar atenção, tomando notas de tudo.

Tia Madge disse que Mestra Joaquininha lhe falou que eu fui a aluna mais inteligente da escola dela, mas era vadia e falhava dias seguidos. Isto é verdade, porque o ano passado fomos, muitas vezes, passar dias com meu pai na Boa Vista. Não sei se sou inteligente. Vovó, meu pai e tia Madge acham; mas só sei que não gosto de estudar, nem de ficar parada prestando atenção.”

— Sábado, 18 de fevereiro.

Trecho do Diário: Helena Morley
Casamento e Mortalha no Céu se Talha

“Por que minhas colegas se incomodam tanto com minha vida? Não sei por que, pois se nunca me deram nada, e não me dariam se eu precisasse. Fininha me levou uma poesia que o irmão me fez. Eu vou dizendo a todas que não quero ter namorado não gosto de ninguém e que me deixem em paz. Hoje elas começaram a bulir comigo e me chamar de facão.

Mariana disse ‘Você já tem quatorze anos. Se não for ajeitando o seu desde já, de mais velha ninguém quererá e você ficará para tia. Você assim vai virar facão‘. Respondi: ‘Mas se eu quero virar facão que tem você com isto?’. Ela disse: ‘Se quer, está bem; mas nós nos incomodamos porque gostamos de você. É só por isso’

Biela disse: ‘Vocês não compreendem Helena; ela quer se casar tanto como nós, mas é orgulhosa, quer peça fina. Afianço que se lhe aparecesse um doutor ela não mandaria para o bispo’. Para encurtar a conversa eu disse: ‘Não se incomodem tanto comigo, minhas amigas; lembrem-se do ditado: Casamento e mortalha no céu se talha‘.”

— Quarta-feira, 12 de setembro.


Referências
MORLEY, Helena. Minha vida de menina. Ilustrações Lúcia Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 1998



AVISO: A Inteligência Artificial é usada no Histórias em Redes como suporte técnico para otimizar a interação do usuário. A seleção, a verificação histórica e o controle editorial permanecem sob autoria humana, sendo a equipe do projeto a única responsável pelas informações divulgadas. Erros podem ser cometidos. Entre em contato se verificar algum.

← Voltar

Agradecemos pela sua resposta. ✨

Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.