Em Diamantina, os líderes liberais não eram os tradicionais latifundiários, mas sim homens enriquecidos pela exploração de gemas, controle do comércio e indústrias, e que continuavam sendo grandes proprietários de escravos
. Por isso, a autora conclui que, na prática brasileira, ser liberal muitas vezes significava ser um “conservador da liberdade”.
A vertente liberal no município era encabeçada principalmente pela família Felício dos Santos. Joaquim Felício dos Santos foi o grande expoente desse grupo, fundando o jornal O Jequitinhonha em 1860 justamente com o objetivo de abrir espaço para o Partido Liberal no norte de Minas Gerais, combater o sistema imperial e divulgar as ideias liberais e, futuramente, republicanas.
Segundo Souza (2021) não existia uma oposição estrita entre os liberais mineiros e o catolicismo. Citando um discurso de 1878 do deputado João da Matta Machado, ela demonstra que quase todos os políticos que abrilhantavam as fileiras do Partido Liberal e defendiam seus princípios haviam sido educados dentro dos seminários católicos. Isso comprova sua tese de que os ideais modernos e liberais se fundiram e se adequaram à realidade conservadora e religiosa de Minas Gerais.
No campo da instrução, as ideias liberais nos primeiros anos do Império pleiteavam um sistema livre do controle religioso e a descentralização do ensino para as províncias. O próprio Conselheiro João da Matta Machado, que era vinculado ao Partido Liberal, foi o responsável direto pela aprovação do projeto que transferiu e criou a Escola Normal em Diamantina em 1878. Curiosamente, o Externato (escola secundária) com o qual a Escola Normal dividia o prédio havia sido criado pouco antes, durante uma administração do Partido Conservador, mostrando que a educação era um campo onde liberais e conservadores disputavam poder, mas convergiam na ideia de “progresso”
Referencias
SOUSA, Gabriela Marques de. Entre diamantes e cascalhos: a Escola Normal de Diamantina, 1878 a 1905. 2021. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2021. Disponível em: http://doi.org/10.14393/ufu.te.2021.5537


