Você já se perguntou como um herdeiro de lapidários de diamantes se tornou o homem que redesenhou o destino educacional do norte de Minas Gerais?
João da Mata Machado, nascido em 14 de novembro de 1850, em Diamantina, foi muito mais do que um médico e político proeminente; ele foi o arquiteto de um projeto que visava consolidar sua terra natal como um polo de progresso e civilização. Membro de uma das famílias mais ricas e tradicionais da região, era filho de João da Matta Machado e Amélia Senhoria Caldeira Brant, crescendo em um ambiente de forte influência pública ao lado de seus irmãos Álvaro e Pedro, que também se destacaram na política e na imprensa mineira.
Após um brilhante curso de Humanidades, João formou-se em Medicina no Rio de Janeiro em 1874, período em que se deixou contagiar pelas fervilhantes ideias liberais e republicanas da época. Ao retornar para Diamantina, sua atuação no Partido Liberal rapidamente o levou à Assembleia Legislativa Provincial, onde, em 1878, protagonizou uma manobra política audaciosa: ele apresentou uma emenda que alterava o projeto de criação de uma Escola Normal em Minas Novas para que a sede fosse transferida para Diamantina. A aprovação da Lei Provincial nº 2.476, fruto dessa estratégia, foi o alicerce para seu projeto de transformar a cidade na “Capital do Norte”, utilizando o fortalecimento do ensino primário como ferramenta para moralizar a população e atrair desenvolvimento econômico. Mesmo associado ao liberalismo, mantinha uma postura conciliadora com a Igreja, defendendo subvenções a educandários católicos por acreditar que, diante da pobreza do Estado, a educação confessional era um aliado indispensável ao progresso.
Sua carreira nacional foi igualmente meteórica e marcada por grandes responsabilidades. Eleito deputado geral em 1881, chegou ao cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1884, durante o Império, recebendo o título de conselheiro. Com o advento da República, participou ativamente da transição como deputado constituinte e primeiro-secretário do Congresso em 1890. Em 1891, alcançou a Presidência da Câmara dos Deputados em um período de extrema instabilidade, marcado pelo golpe de Deodoro da Fonseca. Sua firme oposição ao governo subsequente de Floriano Peixoto resultou em sua prisão na Fortaleza de São João em 1892, mas nem mesmo o cárcere abalou seu prestígio; reeleito sucessivamente, continuou a defender seus ideais parlamentaristas até falecer, em pleno exercício do mandato, no dia 6 de fevereiro de 1901.
Em palestra proferida por seu filho Pedro, ele ressalta caracteristicas do pai: narra o momento em que o pai retorna à sua terra natal logo após se casar: “Em Diamantina, encetou sua clinica, tornando-se logo querido e popular pela extrema bondade com que a todos acolhia”.
Também descreve uma situação da infância do pai que demonstra sua “generosidade e empatia desde menino”: “distribuiu na escola toda a “bicharia de uma arca de Noé” (um brinquedo raro e muito valioso para a época e localidade). Ao ser questionado pela mãe sobre o motivo de ter dado seus brinquedos, ele demonstrou forte compaixão pelos colegas justificando: **«Os meninos da escola, coitados, não têm pae que traz arca de Noé, do Rio».
Referencias
Câmara dos Deputados. João da Mata Machado. Disponível em: Início / Institucional / História e arquivo / A História da Câmara / Presidentes da Câmara dos Deputados – República. Disponivel em:
SOUSA, Gabriela Marques de. Entre diamantes e cascalhos: a Escola Normal de Diamantina, 1878 a 1905. 2021. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2021. Disponível em: http://doi.org/10.14393/ufu.te.2021.5537




