Chrographia do Município de Diamantina (1889)


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Chorografia do município de Diamantina, publicada pela Typografia do Jornal do Commércio em 1899, está esgotada aparentemente sem reedições. No entanto, no livro citado de Jayne Neves ele reproduz trechos da obra.

Cabe destacar que o autor, de maneira bastante didática, apresenta os diversos rios existentes no município, descrevendo sua nascente e localização: Rio das Velhas, Paraúna, Arassuahy, Curimatahy, Rio Pardo Grande, Rio Pardo Pequeno, Rio Pinheiro, Caethemirim, Macaco Grande, Jequittahy, Ribeirão Pindahybas, Rio Preto, Rio Manso, Ribeirões Galheiro e Capivara, Ribeirão do Inferno, Ajunta-ajunta, Piruruca, Inhahy, Inhacica Grande, Santa Maria.

O autor também menciona lagoas, fala sobre o clima, o “reino mineral”, “vegetal”, citando inclusive ervas e suas utilizações, e “animal”. Menciona fontes de “águas férreas” e “aguas thermaes”.

Ao abordar a geografia política indica que a população do município, em 1899, era de 65 mil habitantes distribuídos nos distritos. Também aborda outros aspectos, tais como educação, templos católicos, e descreve os distritos. Menciona as atividades econômicas. No “resumo” da fundação do Tijuco, cita Joaquim Felício dos Santos.

Neves, escreveu o livro Chorographia do Município de Diamantina, publicado em 1899, portanto, quatro anos após a morte de Joaquim Felício. Escrito para ser aproveitado nas escolas de Diamantina, a obra é composta de três partes: geografia física, geografia política e geografia econômica de Diamantina. Em linguagem simples, clara e direta, José Augusto Neves apresenta informações sobre a posição do município, seu relevo, sua hidrografia, seu clima, seus recursos naturais, a flora e a fauna da região, enfatizando os usos econômicos da riqueza natural existente no território diamantinense. Fornece também um quadro da população, por meio da descrição dos distritos e da sede municipal. Na última parte, José Augusto Neves analisa as atividades produtivas e a infraestrutura econômica. (Martins, 2012, p.55)

O livro traz, ao final, um anexo referente à fundação do Distrito Diamantino, que fora extraído do livro de Joaquim Felício dos Santos. Assim, se compõe como uma continuação de uma narrativa sobre este passado já iniciada por Santos.

Seguindo também o tom de denúncia, presente nas Memórias, o autor denuncia a precariedade das estradas e o isolamento de Diamantina em função dos precários acessos de bens e informações. O velho professor lamentava as dificuldades para a produção e o comércio, decorrentes da precariedade das vias de comunicação do município. A carência de boas estradas era, conforme as palavras de José Neves, o “[melhoramento] que tem tolhido o seu desenvolvimento industrial e agrícola.” (NEVES, 1899, p. 62) Por outro lado, o futuro econômico de Diamantina dependeria, segundo Neves, da integração do município à malha ferroviária do país. Sem a estrada de ferro, o “movimento mercantil” de Diamantina permaneceria pequeno e lento. (Martins, 2012, p.55)

Sua segunda obra, mais ufanista, traz uma história de exaltação. Segundo Jayme Neves, é uma obra inédita em três volumes, que deveria ter sido publicada em 1938, durante as comemorações do centenário de Diamantina.

“No intuito de conservar alguma coisa interessante e útil do passado da terra querida, onde nasci, resolvi reunir neste pequeno opúsculo artigos, fatos do nosso passado e algumas crônicas que escrevi no Pão de Santo Antônio e Voz de Diamantina, semanários que fundei e editei nesta cidade, por espaço de mais de 30 anos, em prol da religião católica e da pobreza, como também pelo desenvolvimento material, moral e social deste vasto rincão norte-mineiro.” (Neves apud Neves, 1986, p.45)


Referências

NEVES, Jayme. José Augusto Neves – O Jornalista – escritor, sua Obstinação e Vocação Ecológica. Imprensa Oficial: Belo Horizonte, 1986

MARTINS, Marcos Lobato. Memorialistas e ensino de história local na Diamantina do século XX. Cultura Histórica & Patrimônio, Diamantina, v. 1, n. 1, p. 39-60, 2012.

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Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.