A obra foi publicada em forma de livro em 1868 e teve edições em 1910, 1924, 1956, 1976, e uma tradução para o francês em 1931.
A história narrada na obra de Joaquim Felício traz, em seu primeiro capítulo, o início da ocupação. O autor nos informa que no século XVII, depois que bandeiras de aventureiros chegaram ao local onde se fundou a Vila do Principe (atual Serro), aventuraram-se em busca de ouro tomando como referência o Pico do Itambé. Chegaram na confluência do rio Piruruca e Rio Grande em um terreno rico, cuja notícia se espalhou atraindo pessoas e criando, em pouco tempo, o aspecto de arraial no local. Santos informa que levantou-se um pelourinho, como de costume, mas o mesmo foi retirado[1].
[1] O autor informa que o pelourinho estava no córrego do Pelourinho, córrego que voltou a ter o nome original (OBs: Atualmente, encontrei apenas a rua pururuca)
Obra seminal da historiografia de Minas Gerais, publicada originalmente como uma série de artigos no jornal O Jequitinhonha a partir de 1862 e editada em livro em 1868. O autor, Joaquim Felício dos Santos, jurista e intelectual, utiliza sua experiência para escrever uma história administrativa, jurídica e social da exploração de ouro e diamantes. Une o rigor da análise de documentos oficiais (decretos e regimentos) às tradições orais.
O autor
Joaquim Felício dos Santos nasceu em 1828 na Vila do Príncipe (Serro). Seu pai foi administrador da Casa de Fundição do Ouro. Seu irmão Antônio nasceu no Tijuco, e João, nasceu em São Gonçalo do Rio Preto. Aos 12 anos, em 1842, a família esteve diretamente envolvida no “fogo de Mendanha”, levante liberal após o qual foram obrigados a se esconderem.
Joaquim Felício foi estudar em Congonhas do Campo e depois cursou Direito em São Paulo. Ele formou-se em 1850 e participava da vida acadêmica através de textos em publicações estudantis (assinava JF dos Santos). Em 1855, com 27 anos, casou-se com sua sobrinha, filha do irmão mais velho, Maria Jesuína. Liberal convicto, fez do jornal O Jequitinhonha uma folha política, criada em 1860, defensora do liberalismo, vindo a ser fechada algum tempo depois.
Enquanto deputado geral (1864-1866), publicou o livro Memórias do Distrito Diamantino primeiro nas páginas do periódico e depois em forma de livro (1868). E, em 1866, publicou o romance Acayaca.
A crise política de 1868 ressuscitou o Jequitinhonha. O autor se manteve atuante na crise e, entre 1872-1876, exerceu a função de Juiz Municipal. Durante três anos, redigiu, a convite, o texto Apontamentos para o Projeto de Código Civil Brasileiro entre agosto de 1878 e princípios de 1881. Mas seu trabalho não foi suficientemente reconhecido, não sendo aprovado. Teve vários fracassos políticos enquanto a Monarquia dava seus suspiros finais. A partir do 15 de Novembro, e sendo ferrenho defensor do ideário liberal, no entanto, ao assumir cargos nas casas legislativas, seus “excessos” também não foram aceitos.(Eulálio apud Santos, p.29 )
Em fins de [18]93 Felício, que se havia comportado com grande fibra durante a Revolta da Armada e mesmo enfrentado Floriano numa entrevista senatorial no Itamaraty, retirou-se doente e alquebrado para a Diamantina. Permaneceu então a maior parte do tempo no Biribiri, onde, em torno da fábrica, família e agregados se organizam nessa curiosa transição entre formas de sociedade patriarcal e industrial. A Acayaca é reeditada em 1894 em Ouro Preto, primeiro como folhetim do “Estado de Minas” depois em forma de volume. O seu autor sobreviveria ao livro menos de ano. Viria a falecer a 21 de outubro de 1895, nesse povoado que ajudara a fundar (Alexandre Eulálio in SANTOS, Memórias…p.30)
A obra, além da primeira, teve edições em 1910, 1924, 1956, 1976, e uma tradução para o francês em 1931.
A obra
Cf: https://digital.bbm.usp.br/view/?45000011767&bbm/7444#page/6/mode/2up



