Augusto Carlos da Silva Telles


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Augusto Carlos da Silva Telles nasceu em 1923, no bairro de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro (THOMPSON, 2010, p. 19; p. 73). Era o filho mais velho do arquiteto Jayme Teixeira da Silva Telles — que teve envolvimento direto na Semana de Arte Moderna de 1922 e lutou na Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo — e de Zulmira Maria Velloso Rebello da Silva Telles, conhecida como Dona Zuzu (THOMPSON, 2010, p. 19; p. 73-74).

Após viver parte de sua infância em São Paulo, retornou ao Rio de Janeiro e, em meio a um ambiente familiar de intensas conversas sobre arquitetura e cultura moderna, ingressou no curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes em 1944 (THOMPSON, 2010, p. 19). Formou-se em 1948 na recém-criada Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil (THOMPSON, 2010, p. 19).

A sua trajetória profissional foi vasta e estruturou-se em três grandes pilares: a gestão do patrimônio público, a docência universitária e a representação internacional do Brasil. Sua atuação no IPHAN ocorreu por acaso em 1957, quando ele revelava fotos que havia tirado de Vassouras, no centro do Rio, e foi apresentado ao diretor Rodrigo Melo Franco de Andrade, que imediatamente lhe encomendou uma proposta de tombamento da cidade (THOMPSON, 2010, p. 20; p. 82). Seu primeiro trabalho prático na instituição foi a restauração do telhado da Sé de Santana, na Chapada dos Guimarães/MT (THOMPSON, 2010, p. 20; p. 84). Em 1978, assumiu a titularidade da Diretoria de Tombamento e Conservação (THOMPSON, 2010, p. 20). O ápice de sua gestão se deu entre 1988 e 1989, quando ocupou o cargo máximo de Secretário do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Presidente da Fundação Nacional Pró-Memória (THOMPSON, 2010, p. 21). Pediu demissão desse cargo em agosto de 1989, negando-se a ceder a pressões políticas (THOMPSON, 2010, p. 100), e aposentou-se definitivamente da instituição em 1991 (THOMPSON, 2010, p. 20; p. 101).

Paralelamente, construiu uma sólida carreira acadêmica. Em 1953, iniciou a vida docente como assistente do professor Paulo Santos na disciplina de Arquitetura no Brasil (THOMPSON, 2010, p. 20; p. 79). Obteve a livre-docência em 1962, concluiu o doutorado em 1981 e, a partir de 1969, tornou-se o professor titular da disciplina na UFRJ, onde lecionou até se aposentar em 1982 (THOMPSON, 2010, p. 20). No âmbito da projeção internacional, foi o fundador do Comitê Brasileiro do ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), sendo seu primeiro presidente entre 1978 e 1982 (THOMPSON, 2010, p. 21; p. 114-115). Representou o país no Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco na década de 1980 e presidiu a Assembleia Geral do ICCROM em Roma, entre 1987 e 1988 (THOMPSON, 2010, p. 21).

Durante sua longa trajetória, Silva Telles desenvolveu a prática de registrar em fotografias os bens e cidades históricas por onde passava. Sua presença na cidade de Diamantina durante a década de 1970 evidencia sua atuação direta em campo para estudos e documentação. Munido de sua câmera, ele percorreu exaustivamente o centro histórico documentando a arquitetura civil e religiosa. Ele imortalizou vistas gerais da cidade tiradas a partir do Hotel Tijuco, a arquitetura civil, o Mercado Municipal, a sede da Prefeitura e o Antigo Colégio de Nossa Senhora das Dores, além de registrar locais icônicos da história da cidade, como a Casa da Chica da Silva (INSTITUTO MOREIRA SALLES, [s.d.], s.p.).

Telles demonstrou profundo olhar técnico para a arquitetura religiosa em Diamantina, fotografando repetidas vezes os púlpitos e retábulos da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, o casario ao redor da Igreja do Rosário e os arredores da Catedral durante a procissão do Divino (INSTITUTO MOREIRA SALLES, [s.d.], s.p.). Foi com base nesse interesse técnico que ele escreveu e consolidou estudos fundamentais, apresentados em âmbito internacional, sobre a evolução da obra de talha em Minas Gerais e o trabalho do guarda-mor português José Soares de Araújo nos retábulos de Diamantina (TELLES, 1966, p. 19; THOMPSON, 2010, p. 71-72).

REFERÊNCIAS
INSTITUTO MOREIRA SALLES. Explore o Acervo IMS: Arquivo/Coleção A. C. da Silva Telles (Resultados para Diamantina). Rio de Janeiro: IMS, [s.d.].

TELLES, Augusto Carlos da Silva. A obra de talha em Minas Gerais: necessidade de pesquisa e de estudo. Trabalho apresentado ao VI Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros. Boston; Nova Iorque, p. 7-19, set. 1966.

THOMPSON, Analucia (Org.). Entrevista com Augusto Carlos da Silva Telles. Série Memórias do Patrimônio, 2. Rio de Janeiro: IPHAN/DAF/Copedoc, 2010.



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Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.