Comerciantes do Tijuco


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O autor José João Teixeira Coelho, em sua obra Instrução para o governo da Capitania de Minas Gerais (concluída em 1780), descreve de forma muito clara como os estabelecimentos comerciais regulares serviam para mascarar o contrabando de diamantes no Arraial do Tijuco.

Comerciantes como os maiores contrabandistas : O autor afirma categoricamente que a estrutura comercial local era prejudicial, pois acobertava os roubos. Ele justifica que “O grande número de lojas de negócio e de tabernas que há no Tijuco não é conveniente”, ressaltando que “Os negociantes e os taberneiros sempre foram os maiores extraviadores” (COELHO, 1780, Cap. 21, n. 39).

A facilitação do roubo (o disfarce comercial) : Coelho explica que os empregos de comerciante e taberneiro serviam como um disfarce perfeito para a receptação de pedras furtadas. Isso ocorria porque o negócio “lhes facilita muito a compra dos diamantes, não só porque sempre têm dinheiro, mas também porque tratam familiarmente com os escravos” (COELHO, 1780, Cap. 21, n. 39). Como os escravizados eram os responsáveis pela extração direta, o contato comercial rotineiro (“familiar”) era a via de escoamento do diamante roubado.

Repressão governamental : Para tentar frear o uso do comércio como meio de contrabando, o autor documenta as medidas severas tomadas pelo Governador Conde das Galveas. O governo “Proibiu, finalmente, que as tabernas do mesmo arraial se abrissem de noite” (COELHO, 1780, Cap. 21, n. 8). Além disso, o governador “Renovou as penas contra os que comprassem diamantes fora do Tijuco e contra as vendas e negras de tabuleiro” (COELHO, 1780, Cap. 21, n. 9).

Dessa forma, o autor demonstra que a administração colonial considerava as lojas, vendas e tabernas verdadeiros instrumentos de facilitação do extravio diamantífero.

COELHO, José João Teixeira. Instrução para o governo da Capitania de Minas Gerais. Introdução de Francisco Iglésias. Leitura paleográfica e atualização ortográfica de Cláudia Alves Melo. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1994. (Série Clássicos da Coleção Mineiriana). Manuscrito original concluído em 1780.



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Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.