José Avelino de Andrade (“Zéca Bento”)


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Zeca Bento

era o apelido de José Avelino de Andrade, um artista e poeta popular diamantinense que viveu no final do século XIX. Ele vivia de suas poesias e coretos pelas ruas da cidade, sendo descrito na época como um cantor popular que usava muletas, pois tinha uma perna amputada. Além de se apresentar nas ruas, ele também publicava paródias, lundus e modinhas nos jornais locais.

Augusto Fernandes o descreve como um poeta e cantor popular de voz cristalina, um artista nato que, apesar de nunca ter estudado, publicou um livro de versos e escrevia crônicas nos jornais locais. Famoso por sua resignação e por “cantar para não chorar”, vivia apoiado em muletas e era respeitado pela verve fina e irônica de suas composições. Estava morto na data da publicação (1931); o autor relata que ele faleceu em extrema pobreza. “Falar em José Avelino de Andrade ou ‘Zéca Bento’ é relembrar um dos mais excentricos e extraordinarios typos da Athenas de Minas…”

No trabalho de Gabriela Souza (2021) ele é destacado por ter se tornado uma testemunha da história local, registrando em um “simples folheto de bolso” (publicado em março de 1896) os diversos acontecimentos e a conjuntura política e social de Diamantina daquela época. Em um de seus textos, o poema “O que mais queremos?”, Zeca Bento lista os serviços que a cidade já oferecia à população (como hospitais, telégrafo, igreja e escolas), o que refletia a representação das ideias de progresso e a autoimagem de uma “Diamantina moderna”.

Como os exemplares originais de seus folhetos se perderam com o tempo, grande parte de seus textos e poesias foi posteriormente reunida no livro “Diamantina 1900 e…. quadras sobre ‘quadras’ que não voltam mais”, publicado por seu filho, Paulo René Andrade.

As poesias de Zeca Bento descreviam a “Diamantina moderna” exaltando os diversos serviços e instituições que o município já oferecia à sua população no final do século XIX, sugerindo que a cidade não carecia de mais nada para satisfazer as necessidades de seus moradores.

Aspirações de Diamantina
O que mais queremos?

“O QUE MAIS QUEREMOS? A Companhia para se empregar, muito dinheiro para se ganhar, muitas debentures para nos pagar, o Quarto Corpo para se engajar, um bom telegrapho para se falar. Escola Normal para se estudar, um bom Collégio para se educar, um Seminario para se formar, um restaurante para se arranchar, dois bilhares para se jogar, boa cachaça para embriagar, bonitas ruas para se passear, grandes sobrados para se morar, moças bonitas para se casar, igreja de pedra para se rezar, boa cadeia para nos guardar, a Caridade para nos tratar, medico assistente para receitar, um bom vigário para confessar, um santo Bispo, para abençoar, e um cemitério para se enterrar.”

— (Bento apud SOUSA, 2021, p. 17)


Referências
(FERNANDES, Augusto. Tipos populares de Diamantina, 1931. p. 101-103. Link: https://historiasemredes.com/referencia/fernandes-augusto-tipos-populares-de-diamantina-1931/)
SOUSA, Gabriela Marques de. Entre diamantes e cascalhos: a Escola Normal de Diamantina, 1878 a 1905. 2021. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2021. Disponível em: http://doi.org/10.14393/ufu.te.2021.5537



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Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.