O título remete a um capítulo do livro de Humberto Mesquita, intitulado Coisas que vi (2020), chamado “Garimpo: uma matéria censurada”. A matéria a que o autor se refere foi elaborada a partir de uma visita que ele e Jorge Bodanzky fizeram a Diamantina e região em 1968.
A dupla permaneceu na cidade por cerca de três dias e percorreu os arredores, como os distritos de Sopa, Curralinho e Inhaí. Conversaram com diversos garimpeiros sobre suas condições de vida e de trabalho. Dessa visita, surgiu uma reportagem de 21 páginas que seria publicada na Revista Realidade, abordando a realidade do garimpo através de depoimentos marcantes, bem como o cenário de embate entre os garimpeiros artesanais e as grandes máquinas (dragas) introduzidas pelas empresas de mineração. Além do texto, um rico conjunto de fotografias registrou o percurso da dupla, seus encontros com as pessoas, os espaços e as paisagens.
Ao retornarem, todo esse material gerou um entusiasmo generalizado na redação. No entanto, o processo de publicação foi abruptamente interrompido. “Não tenho uma boa notícia”, disse o editor. “A matéria não poderá ser publicada. É mais grave do que se imagina”, nos conta Humberto Mesquita. E assim, todo aquele minucioso trabalho de “garimpar” informações e imagens parecia ter sido em vão.
O tempo passou…
Anos depois, em 2026, ao pesquisar acervos de imagens sobre o território de Diamantina, deparando-me com as belíssimas fotografias produzidas por ninguém menos que o grande cineasta Jorge Bodanzky, as portas se abriram. Foi o ponto de partida que tornou possível trazer ao público, finalmente, este material censurado.
Então, sem mais delongas, com vocês…
Aqui, será possível ter acesso ao texto inédito da reportagem em sua forma original (versão datilografada). As imagens originais estão disponíveis para consulta pública no acervo do Instituto Moreira Salles (IMS).
Referências
MESQUITA, H. Coisas que vi. Editora Alameda, 2020





